Vinil! Ah, devo estar ficando velho mesmo
January 7, 2008 – 10:16 amOntem fui à feirinha de antiguidades da 13 de Maio para procurar discos de vinil dos Beatles (e outras coisas interessantes que venham a aparecer….Beach Boys?). No meu aniversário de casamento a Patrícia me deu uma adorável “vitrola” portátil, da Philips. Eu sei que se quisesse aproveitar mesmo as vantagens sonoras do vinil eu deveria procurar um equipamento mais apropriado, ao invés de uma vitrolinha portátil, mas parte da graça da experiência com o vinil eu acho que está no equipamento mais simples também.

Eu não sou aqueles violinistas com ouvido absoluto que estão procurando no vinil a sonoridade perdida na conversão para o formato digital. Eu estou mais interessado em viver a mesma experiência que as pessoas viveram na época em que essas músicas foram lançadas, ou mesmo quando as ouvi pela primeira vez (ih, denunciei a idade nessa…).
Eu costumava frequentar muito um bar em Moema chamado Little Darling. Ele ainda está lá, mas completamente desvirtuado da concepção original. Agora há um monte de bandas barulhentas tocando “classic rock”, uma classificação com cara de Kiss FM que inclui toda uma série de barulhos produzidos entre os anos 70 e 90. Até mesmo coisas recentes, como Nirvana, Pearl Jam, já são vistos como “Classic Rock”. Barbaridade. A galerinha dos anos 50 e início dos 60 seriam os reais merecedores do título.
Bom, mas como eu estava falando do Little Darling de antigamente (lá por 94, 95), havia uma Jukebox bem antiga, que tocava compactos de 45 RPM, aqueles que o furo do meio é bem grande. Naquela máquina estavam algumas das minhas músicas prediletas até hoje, entre elas Runaround Sue (Dion and the Belmonts), Only You e The Great Pretender (The Platters), e é claro, não poderia faltar as músicas dos Beatles, que me lembro muito bem quais eram: I Feel Fine/ She’s a Woman, Help/I’m Down, We Can Work It Out/Day Tripper. Não dá para dizer que elas soavam melhor que o que temos hoje em CD (bom, muita gente vai dizer que sim!), mas soavam diferente. E eu, pelo menos, me apego não apenas pelas músicas mas pelas versões também. E ouvir aquela microfonia (gravada propositalmente pela primeira vez por alguém nessa faixa!), seguida das notas iniciais de I Feel Fine saindo daquela Jukebox foi simplesmente uma das melhores experiências que tive na vida. E não é que eu achei um compacto da Odeon de I Feel Fine ontem!?
F oi simplesmente maravilhoso ouvir aqueles que para mim são um dos melhores segundos iniciais de uma música já feitos por aí, do jeito que me marcou antes. Da mesma forma, o riff de guitarra estridente de “Ticket to Ride”, que eu também comprei ontem, me lembrou das viagens de carro com minha família, quando meu pai colocava as fitas K7 gravadas diretamente dos LPs do meu tio Fábio. Ao tocar essa faixa ontem na minha vitrolinha ouvi aqueles acordes iniciais com a mesma sonoridade de quando conheci a música. Fantástico!
Minhas compras de ontem:
I feel fine / If I fell (abril/1965)
This boy / Ticket to ride (junho/1966)
Hello goodbye / I am the walrus (dezembro/1967)
Hey Jude / Revolution (dezembro/1968)





2 Responses to “Vinil! Ah, devo estar ficando velho mesmo”
Gugu, deixa de ser velho!
By Bruno on Jan 7, 2008
Augusto,
Se você tá ficando velho, imagina eu…
Suas compras foram excelentes. I am the walrus é uma das melhores dos Beatles (como se isso fosse fácil de definir).
Eu como comprei muito, mas muito mesmo, vinil, hoje me considero com crédito para manter todas aquelas músicas em formato digital no laptop e no pda.
Abração,
By Nelson on Feb 1, 2008