Todos os dias são de Corinthians

September 3, 2010 – 3:48 pm

Escrito pelo Palmeirense e Jornalista da rede Bandeirantes Mauro Beting.
(e enviado para mim pelo meu irmão Daniel)

É na quarta-feira. Foi ontem. É hoje. Será sempre. O Corinthians não precisa
de data para celebrar. Só precisa de Corinthians.

Pode parecer mesquinho para os outros, onanista, até. Mas isso é Corinthians
para quem de fato importa – o corintiano. Basta existir.

O fiel não precisa de jogo, de estádio, de adversário, de futebol, de
campeonato, de gol, de vitória, de título.

O corintiano só precisa do Corinthians para ser feliz.

Só precisa de outro corintiano para fazer festa. Ele se encontra pela rua e
confraterniza como se visse um Luisinho, um Marcelinho, um Neco, um Neto, um
Rivellino, um Sócrates, um Wladimir, um Cláudio, um Biro-Biro, um Zé Maria,
um Basílio, um Gilmar, um Brandão, um ídolo. Um corintiano. Que não precisa
ser craque, pode até ser bagre. Desde que saiba que a camisa não é um
símbolo. É tudo. É Corinthians.

Não é um bando de loucos. É um corintiano. Definição precisa e perfeita.
Completa e complexa. Mas simples como um torcedor que ama o time como ama a
família. Se não torce de fato mais pelos 11 que jogam por todos que pelos
entes queridos. Afinal, é tudo do ente. É tudo doente. É tudo Timão.

O Corinthians não é a vida de um corintiano.

Antes de ser gente ele é Corinthians.

Por isso tanta gente é Corinthians. Num Brasil imenso e injusto socialmente,
o campeão dos campeões paulistas é dos maiores fatores de inclusão, justiça
e igualdade no país.

Não por acaso é nação dentro deste continente. Tem regras complicadas, tem
razões malucas, tem paixões regradas. Tem de tudo e tem para todos no Parque
São Jorge. Na casa por usucampeão Pacaembu. No Morumbi tantas vezes palco
das festas. No Maracanã campeão mundial em 2000. Nas tantas praças
brasileiras que viraram casas corintianas em títulos e troféus. Até mesmo
nas dores que não murcharam amores. Até mesmo nas vergonhas nos gramados e
nos sem-vergonhas das tribunas e tribunais, o Corinthians sempre soube
ganhar como raros, e até soube perder como poucos. Mesmo perdendo a cabeça e
perdendo o juízo. Mas jamais perdendo o coração.

Doutor, eu não me engano, mesmo que meu coração seja o oposto do corintiano,
não há nada que bata tanto e por tantos como esse que se diz maloqueiro e
sofredor, graças a Deus!

Esse prazer de eventualmente sofrer é exclusividade alvinegra. Esse amor não
se explica. É um presente. É um dom. É uma doação, mesmo quando mais parece
uma danação. É sina que não se explica, que fascina até quem não é, até quem
não gosta. Não sei explicar o Corinthians. Nem os corintianos conseguem.

Mas nada disso é preciso. O que importa é que sempre haverá no estádio e em
cada canto um fiel. Um estado de espírito alvinegro. Um torcedor que
acredita sem ter por que; que torce sem ter por quem; que joga sem ter com
quem.

Listar os títulos corintianos não é fácil. Mais difícil é compreender um
torcedor que até se orgulha dos fracassos. Até na segunda dos infernos. Em
2008, vi gente acreditando como sempre desde 1910. Vi fiel não abandonando.
Não parando. Acreditando. Corintianando.

Fiel pode até ser rebaixado – mas não se rebaixa. Raros sabem perder e
ganhar como nenhum outro jamais venceu.

Ainda mais raros (embora muitos) nasceram sabendo que quem ama não perde.
Podem até ter times melhores. Mas mais amados?

Nestes 100 anos, não conheço igual.

Até porque quarta-feira não será um dia especial.

Desde 1º. de setembro de 1910, todos os dias são especiais.

Todos são dias de Corinthians.

Ops! Pisei em calos, desculpem

September 3, 2010 – 12:48 pm

Eu sempre tomei cuidado de não expor alguns dos meus conceitos aqui que podem ser ofensivos para outras pessoas, principalmente quanto à religião. Sabia que podia acontecer o mesmo quando fui falar sobre meus motivos para morar fora do Brasil. Tentei ser claro em dizer que eram meus motivos, uma visão pessoal, etc, mas mesmo assim algumas pessoas ficaram ofendidas. Desculpem-me, de verdade. Fico um pouco ressabiado com a dificuldade de se lidar com opiniões diferentes, mas acho que patriotismo deve mesmo ser colocado junto com aquele grupo de assuntos “que não se discutem”: Religião, Política e Futebol. Uau, acho que sou tão orelha que normalmente são os assuntos que me levam a escrever! :-)

Preocupado com a interpretação incorreta que algumas pessoas queridas deram ao que escrevi, corri atrás de algumas definições: Patriotismo, Nacionalismo e Ufanismo. Pois bem, no ponto em que critiquei o patriotismo, por favor, substituam o termo por “Nacionalismo excessivo e ufanismo”. São estes os sentimentos que me incomodam. Pela definição do patriotismo, o amor aos símbolos de uma nação, posso me incluir como um patriota (brasileiro, para ficar claro) também. Ok, eu ainda vou dizer que sou mais corintiano do que brasileiro, mas todo mundo sabe que no fundo mesmo somos um bando de loucos :-) (nota para mim mesmo: se eu fizer mais uma referência pessoal vou acabar no nível do Lula! :-( )

Todos meus motivos para não morar no Brasil continuam os mesmos, mas eu estou contando os dias para visitar o país, em Dezembro, e rever tudo aquilo e aqueles que amo por lá. Será que eu usaria todos os meus dias de férias, milhas, etc, para passar um mês em um lugar que eu não gosto? Nah!

Tudo esclarecido…vejo vocês no Genuíno?

Morar fora…

August 25, 2010 – 3:11 pm

É um assunto que sempre gera discussões acaloradas e muitos mal-entendidos. Eu fui entrevista esta semana para uma matéria no portal G1 sobre profissionais de Segurança da Informação que resolveram sair do Brasil. O repórter, Altieres Rohr, fez um ótimo trabalho e conseguiu retratar muito bem os motivos que nos levam a essa opção.

Dias depois a reportagem gerou polêmica em uma lista de discussão sobre segurança, com alguns comentários engraçados e outros meio absurdos. Ao mesmo tempo recebi um comentário meio atravessado de um grande amigo meu que mora no Brasil em resposta a um dos meus posts mais inflamados sobre os defeitos do país do futebol. Pois bem, eu sempre quis escrever com mais calma sobre os motivos que me levaram a uma mudança tão grande, talvez seja o momento de fazê-lo.

Primeiro, é uma decisão pessoal. O que é importante para uns, não é importante para outros. Isso, por si só, já é suficiente para fazer com uma decisão óbvia para uns seja vista como absurda por outros. Logo, todos os meus motivos podem parecer a você, que está lendo isso, como um monte de bobagem. Se for assim, ótimo, pense em quais são os seus motivos para ficar ou sair e seja feliz com sua decisão.

Um motivo muito forte, para mim e principalmente para minha esposa, é a segurança. E quanto a isso não há argumentos, há apenas fatos. Dizer que violência existe em qualquer lugar é como dizer que a enchente no Paquistão não é um problema já que água tem em qualquer lugar. Sim, violência é onipresente, mas tem níveis. O nível de violência em Toronto é muito mais baixo do que Rio, São Paulo ou outra cidade brasileira de tamanho/economia equivalente.  A diferença nos números é assustadora. Número de homicídios na cidade do RJ até agora em 2010, 900. Em Toronto, 36. OK, você quer dizer que a maioria dos homicídios no RJ estão relacionados à guerra do tráfico, portanto não se aplicam à sua vida? Veja o número de latrocínios (alguém mata traficante durante um roubo? :-) , na casa dos 30 até este ponto. Enquanto aqui aqueles 36 incluem o problema de crime organizado, gangues, tráfico, os trinta e poucos do RJ são apenas para quem morreu sendo assaltado! Quantidade de assaltos? Na casa da dezena de milhares no RJ. Há aqueles que argumentam que onde eles moram nunca teve problema, nunca foram assaltados, etc. Ok, pergunte-se quanta gente você conhece pessoalmente que:

  • Tem / está comprando carro blindado
  • Já foi assaltado à mão armada
  • Já sofreu sequestro relâmpago
  • Já sofreu com “arrastão”, seja na praia, prédio, etc.
  • Já viu/ouviu tiro/tiroteio

Olha, eu consigo encher uma mão fácil só com família, e ninguém morava no morro quando essas coisas aconteceram. Agora, se eu procurar entre os canadenses que eu conheço, é difícil, quase impossível, achar. Para se ter uma idéia da diferença de dimensão, ver uma arma nas ruas já é motivo de comentário e notícia.

Ok, mesmo assim você acredita que o problema não é tão grande assim. Então pare e veja como você se comporta. Anda na rua à noite, tranquilo? Ao pensar em como você vai para algum lugar de noite, considera andar ou usar o transporte público? Ok, se o motivo não é segurança e sim comodidade, pense em como você usa seu carro. Janelas abertas? De noite? Parar no semáforo vermelho de madrugada? Chegar aos poucos no cruzamento para ver se tem alguém suspeito na esquina? Olha o retrovisor para ver se tem motoqueiro suspeito chegando? Não deixa nada de valor a mostra dentro do carro? Tem a “bolsa do ladrão”? Escolhe carro simples para não chamar a atenção? Alguns podem dizer que não fazer tudo isso é “dar bobeira”. Eu chamo isso de viver. Eu não faço nada disso. Pode parecer pouco, mas a sensação de liberdade proporcionada por viver sem tudo isso é maravilhosa. Pode não ter sido um fator determinante para eu decidir mudar, mas é um fator determinante para eu não querer voltar.

A parte profissional eu não preciso comentar muito. Na minha área tem mais oportunidades aqui do que no Brasil, mas reconheço que isso depende da profissão. Fora que tem gente que sofre com o reconhecimento de credenciais aqui. Se você é médico, por exemplo, vai ter se acostumar com a idéia de revalidação, estudar de novo, testes, etc. Não é para qualquer um. Muita gente vem para cá e dá passos para trás em termos de carreira, outros dão saltos para frente. Varia muito.

Agora, meu fator determinante foi cultural. E quanto a isso é bem complicado falar sem pisar em calos, etc. Meu ponto básico, não me identifico nem um pouco com a forma que o brasileiro médio(generalização, CLARO) pensa e se comporta. O culto à malandragem, ao jeitinho, Lei de Gerson. A maneira como as pessoas encaram o coletivo. Aqui o público é de todos, no Brasil o público não é de ninguém (ou de quem chegar primeiro). A corrupção endêmica e generalizada. A avacalhação com as instituições. A cerveja do guarda. Viver com isso me incomodava muito, e ainda mais ser visto como otário por optar em não ser mais um nessa. É claro que tudo isso existe no Canadá, mas existe em níveis muito inferiores aos que vemos no Brasil. Com isso a cultura coletiva também acaba sendo outra. As pessoas pegas com a boca na botija sentem-se constrangidas e envergonhadas, pois há uma clara noção coletiva de que aquilo é errado. O exemplo mais emblemático do Brasil com relação a isso é o Maluf. Já foi pego no flagra, mas simplesmente nega e sorri. E com isso conquista muitos admiradores que clamam “rouba mas faz”, felizes com a nova avenida ou túnel superfaturado que corta alguns minutos do trânsito diário. Aqui você vê os políticos suspeitos de corrupção renunciando imediatamente. Por que o comportamento no Brasil é segurar-se o máximo possível no cargo? Lembrando que no Japão é comum o cara se matar quando pego em situações como essas. Quais valores você gostaria de ver seu filho aprendendo?

O último argumento “contra” a mudança é ainda mais complicado, o famoso “patriotismo”. Nesse assunto meu pensamento é alinhado com o filósofo alemão Schopenhauer:

Every miserable fool who has nothing at all of which he can be proud, adopts as a last resource pride in the nation to which he belongs; he is ready and happy to defend all its faults and follies tooth and nail, thus reimbursing himself for his own inferiority.
- Arthur Schopenhauer, Aphorisms

Na minha opinião o patriotismo (assim como a religião) é um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento da humanidade. É ter gente se achando melhor do que outros simplesmente por conta do local onde eles nasceram (ou vivem). Eu não vejo motivos para amar o Brasil como “pátria”, ainda mais quando não me identifico com a cultura e os valores de seu povo. Eu tenho sim, carinho pelos lugares nos quais passei a maior parte da minha vida. Um enorme carinho por São Paulo e os lugares que eu gosto de lá, como o Pacaembú, o centro da cidade, o parque do Ibirapuera. Mas posso dizer, com certeza, que não sou um patriota. Em uma “discussão de bar internacional” eu não vou ser o cara defendendo o Brasil. Alguns podem me acusar de ingratidão com o país, mas eu acho que devo gratidão aos meus pais, minha família e amigos. Ao país? Não tenho motivos. Por conta dessa visão mais fria (eu prefiro chamar de “pé no chão”) tenho opinião muito crítica quanto às Olimpíadas de 2016 e à Copa de 2014. Estão dando a quadrilhas de bandidos (governos, CBF, COB) uma enorme oportunidade de roubar bilhões enquanto o país luta para sair da lama social, educacional, cultural e moral. Não faz sentido algum. Ainda assim, vou ser o vilão da “turma do Galvão Bueno”. O pessoal que vê como grande conquistas esses eventos serem feitos no Brasil, e qualquer outra coisa que o país ou brasileiros façam. Aqueles que acreditam que o brasileiro, quando quer, se sai melhor do que qualquer outro em qualquer atividade, seja ela esportiva ou profissional. Não é verdade, pessoal. Não somos melhores do que ninguém. Também não somos piores. Logo, sem esse ufanismo besta. Soa como tentativa de auto-afirmação para compensar o complexo de vira-lata. Não tem “ou está conosco ou contra nós” nesse assunto. Eu falo mal do Brasil no que o Brasil merece, e falo bem quando merece. Sou um grande defensor do futebol brasileiro, do álcool brasileiro e do nosso churrasco por estes lados, mas não espere que eu saia falando que o brasileiro, sob as mesmas condições, vai fazer qualquer coisa melhor do que os outros. Não falo porque não é verdade. Ponto.

(como “desabafo pessoal”, posso comentar ainda que muitos desses amantes cegos da pátria brasileira são ao mesmo tempo grandes consumidores de cultura enlatada [norte-]americana, o que é no mínimo curioso. Como amar tanto “seu país” e ao mesmo tempo ser escravo dos produtos culturais que são símbolos máximos de outro país? Mas, de novo, este post é sobre meus motivos, não dos outros)

Algumas pessoas citam os “items de conforto” que elas tem no Brasil, suas empregadas, faxineiras, pintores e pedreiros, como uma possível vantagem do Brasil com relação ao Canadá (e outros países desenvolvidos). Aí depende do ponto de vista. Essa mão de obra barata está disponível no Brasil por conta da desigualdade e exploração social. Se esse pessoal gosta tanto disso, tem como opção morar nos países ainda mais pobres. Vai ter um exército inteiro de “staff” em casa e não vai gastar quase nada. Em uma perspectiva completamente egoísta e individualista é uma vantagem, para quem pode bancar. Para a sociedade, para o coletivo, porém, é mais um problema. Eu prefiro não ter isso disponível e saber que qualquer um pode viver com dignidade, do CEO ao lixeiro. Já reparou como é comum, em conversas de classes média e alta, pessoas se referindo às faxineiras e pedreiros de forma genérica, “elas”, “eles”? Coisas do tipo “ela é de confiança”, “ela é limpinha”? Se isso não é segregação social, não sei o que é. E, de novo, prefiro ter um pouco menos de conforto e saber que meu filho não vai precisar conviver com isso.

Pois bem, são esses meus motivos. O Brasil não é o pior lugar do mundo e o Canadá não é o melhor, mas sob meus critérios de “lugar bom”, há uma grande vantagem do segundo em relação ao primeiro. Tenho saudades do Brasil? É claro que tenho! Como eu disse, tenho um enorme carinho por tudo que aprendi a gostar em 30 anos morando lá. Lugares, comida, eventos, muita coisa. Minha família e meus melhores amigos estão lá também, e todos os dias eu penso neles com muita saudade. E são eles que farão com que eu volte sempre que possível para visitar, para poder matar essa saudade. Voltar a morar lá? Não sei. Os lugares mudam, nossos critérios mudam. Hoje meu país é o Canadá. Meus valores e forma de pensar estão mais alinhados à cultura daqui. Eu me sinto em casa aqui. Quando isso mudar (se mudar), aí é hora de pensar para onde ir. Hoje? Não, obrigado.

Lula e Paulo Paim pedindo votos para Renan Calheiros

August 25, 2010 – 12:58 pm

Eu imagino o choque de um petista de 20 anos atrás acordando agora e lendo a notícia abaixo:

Lula pede votos para Renan Calheiros no horário eleitoral em Alagoas

Pedindo votos para o Renan, para o Collor, etc…que belo fim de carreira política para o grande “líder sindical”.  Ah, mas ele veio de baixo, não tem diploma…então pode tudo, né?

Horário Eleitoral Gratuito

August 20, 2010 – 9:12 am

Ainda bem que nem passo perto disso por aqui. Se bem que a TV a cabo já nos salvava há tempos lá no Brasil.

Horário eleitoral gratuito

Por ALBERTO MURRAY NETO

http://albertomurray.wordpress.com/

Hoje eu assisti ao programa eleitoral gratuito pela primeira vez nessas eleições.

Eu adoro.

É sério!

Sempre se aprende algo novo.

Por exemplo, descobri que o Moacir Franco é candidato ao senado.

Só não deu ainda para decorar o partido dele.

O Netinho, ideólogo do PC do B, também quer ser senador.

Ele pede votos com aquela voz de bonzinho, como se estivesse contando histórias para criança dormir.

Já pensaram se os dois forem eleitos, dando uma “canja” no plenário? 

A Dra. Havanir (é com “H” mesmo?) retomou o estilo “Eneas”.

A versão light da candidata parece não ter agradado.

Tem uma outra, cujo nome não guardei, que pede votos no mesmo estilo.

O Maluf continua solto, orgulhando-se de ter construído as Avenidas Jacu-Pêssego e Roberto Marinho, os piscinões, o minhocão e outra porção de barbaridades que saquearam os cofres públicos.

O Maluf quando sorri parece zombar de nós.

Deve ter gente que leva o “Doutor Paulo” a sério.

Esforço-me para prestar atenção no que diz a Dilma.

Até hoje tinha apenas ouvido o Lula falar dela.

Tenho interesse em saber o que ela própria tem a dizer.

Mas preciso acostumar-me com a nova cara que lhe inventaram.

Esticaram a mulher de tal jeito, que eu acabo prestando atenção na transformação que parece ter sido feita naqueles quadros de programas de auditório do “antes” e “depois”.

Isso desvia a minha atenção e acabo não me concentrando no discurso da candidata.

Ao Serra falta-lhe carisma.

Quando ele entra em cena vem à mente a lembrança do “ih vamos ter que aguentar a aula daquele professor chato.”

E começa ele desandar a falar de doenças.

Imaginem se aquele professor chato que Vocês tiveram no ginásio lhes desse uma aula com quatro anos de duração.

É tudo isso que me faz gostar do horário eleitoral, porque vejo o programa com um olhar irônico.

Não levo nada daquilo a sério.

Lá tem de tudo.

É um microcosmo da sociedade.

Aqueles tipos caricatos criados por Chico Anísio aparecem aos borbotões.

A coisa geralmente fica feia depois de contabilizados os votos, quando essa turma assume os cargos para os quais foram eleitos.

Aí perde totalmente a graça.

Saudades do Brasil?

August 17, 2010 – 12:59 pm

A gente sempre tem, mas quando lê algumas coisas e vê o que acontece nos lugares que costumávamos frequentar…

Farra do Orçamento do Pan 2007 - E tem gente que fica orgulhosa com a “conquista” das Olimpíadas

Segundo assalto do ano no Shopping Higienópolis – Hah! E antes a gente se achava seguro nos Shoppings!

Arrastão em prédio no Campo Belo - Que beleza, como é tranquila a vida do paulistano! O pior é que a gente fica tão acostumado que acha normal. Para mim normal agora é andar a noite na rua, achar meu carro intacto (e sem flanelinha) onde deixei, não ter grade nas janelas, entre outros. Mas tem gente que acha mais ”chique” ter carro blindado…

Escolhas ou escolhas

August 16, 2010 – 2:02 pm

Eu tenho escrito pouco por aqui, mas este post do meu amigo Nelson está tão bom que resolvi reproduzí-lo inteiro por aqui. Visite o blog dele que vale a pena, muitos do mesmo estilo por lá!

Escolhas ou escolhas
por Nelson Correa, lá do Pô, meu!

Só o tempo, também conhecido como História, poderá avaliar se serão positivas ou negativas as escolhas que fazem os governantes. Como se tratam de políticos, a maioria prefere direcionar suas ações de maneira que possam ter avaliações rápidas e simples, de resultado imediato. Nós, os eleitores, tal qual os bêbados que preferem a amizade de quem os apóia no seu vício em detrimento dos verdadeiros amigos que insistem em levá-lo para casa, que insistem no controle do consumo da bebida, nós, o povo de uma forma geral, ainda damos preferência à farra, a festa do momento, do que as ações sóbrias que estruturem o futuro.

Se eu estivesse errado, veríamos muito mais investimentos em educação, saneamento básico e obras de infra-estrutura que sustentassem o crescimento da comunidade, da cidade, do estado e do país. Mas a preferência é com a obra que o povo pode ver na hora e não aquela em que ele só possa ver o resultado no futuro. Um exemplo? O PAC da favela da Rocinha no Rio de Janeiro. A favela já ganhou uma passarela de pedestres desenhada por Oscar Niemeyer (um monumento) e ainda ganhará Centro Esportivo, Centro de Referência, Hospital e é claro, um Plano Inclinado! Se você não sabe o que é um Plano Inclinado, na verdade é um elevador como se fosse um trenzinho para levar pessoas de baixo para cima e vice-versa (umas 20 pessoas por vez – população estimada da Rocinha: 100 mil habitantes). Os moradores da Rocinha merecem todas as obras que estão sendo feitas por lá. E estão felizes com isso. O governador e o presidente são muito bem recebidos pela comunidade.

Mas nem um centavo dos 897 milhões de reais (estimado) da obra será destinado a educação. Poderiam destinar parte disso para dar formação de alta qualidade para professores da própria comunidade, e ainda, oferecer escolas modernas para as crianças, com horário integral e professores bem remunerados. Também não será investido nem um centavo para canalizar esgotos e tratá-los, para que a saúde daquela população possa ter mais qualidade, direcionando o atendimento médico para enfermidades que não possam ser evitadas pelo meio ambiente em que vivem os moradores. Priorizando o atendimento médico para tratamento de doenças graves, evitando contaminações dermatológicas e, principalmente, reduzindo o potencial da dengue.

Isso é o que estou chamando de escolha do governante. Nós somos o bêbado, que tem que decidir entre o “amigo” que oferece mais uma dose ou do chato que quer levá-lo do botequim. Caso isolado? Claro que não. O Estadão publicou em editorial hoje, o abandono das estradas federais no norte do país. A Rodovia Transamazônica por exemplo, uma estrada gigantesca de 4.900km que deveria ligar o país de leste a oeste, saindo (ou chegando?) da Paraíba (Cabedelo) tendo a outra ponta no interior do Amazonas (Lábrea), está abandonada, com trechos onde é impossível trafegar, tornando o custo do transporte elevadíssimo, e naturalmente impondo essa carga de preço aos habitantes do interior da Amazônia.

Pelas contas do jornal Valor Econômico, conforme descrito no editorial do Estadão, serão necessários 893 milhões de reais para recuperá-la. Por outro lado, ainda estamos vivendo a euforia, a sensação primeiro-mundista de sediar uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. A primeira será repartida por várias capitais do Brasil, e você deve estar lendo aí nos jornais da sua cidade os custos para recuperação ou construção do estádio que, com orgulho, receberá as melhores seleções de futebol do planeta em 2014. Aqui no Rio, ontem mesmo, foi anunciado o resultado da licitação para a reforma do Maracanã, que certamente será o palco da final, onde cremos, coroará nossa seleção, hexacampeã mundial. Ah sim, o orçamento para a reforma do Maracanã, o fabuloso palco do nosso orgulho nacional, custará a bagatela de 705 milhões e seiscentos mil reais.

Escolhas, foram elas no passado que definiram como estamos vivendo hoje. E serão elas também, que hoje, definirão como será o nosso futuro.

Em tempo: o novíssimo estádio de futebol do Chivas, de Guadalajara no México, finalista da Taça Libertadores desse ano, acabou de ser inaugurado. É o mais moderno da América Latina, com conforto, tecnologia de ponta e segurança para público, jogadores e imprensa, além de muito bonito. Custou o espetacular valor de 150 milhões de dólares, que na nossa moeda, representam aproximadamente 270 milhões de reais. Baratinha a mão-de-obra mexicana, não é? Baratinho o cimento mexicano também, não? Baratinhos esses políticos mexicanos. O estádio foi construído com dinheiro privado e não com dinheiro público. Explica? Pode ser. Escolhas.

Momentos inesquecíveis

August 10, 2010 – 10:38 pm

Aqui estou eu no metrô, navegando minha playlist em busca de pelo menos uma casquinha das emoções proporcionadas por Sir Paul McCartney ontem em seu show aqui em Toronto. Para todo fã dos Beatles um show dele é imperdível, mas o de ontem foi ainda mais especial.

Paul McCartney performs during the first of two nights in Toronto at the Air Canada Centre on Aug. 8, 2010.

Eu conheci minha esposa ainda na escola, no último ano do “colegial” (ugh, denunciei a idade nessa). Desde lá os Beatles e Paul não saiam das minhas playlists (cuja implementação da época eram as simpáticas fitas K7), e aquilo foi uma das primeiras de muitas afinidades que encontramos. Eu ainda estava em pleno processo de descobrimento daquele fantástico acervo musical, dividindo com ela cada nova descoberta. Ontem finalmente pudemos ir juntos a um show do ídolo em comum. A súbita consciência de onde estávamos e de todo o caminho para chegar ali eram suficientes para trazer lágrimas aos olhos dos dois.

Se não bastasse a altíssima carga emocional, o show foi perfeito tecnicamente. Já fui a dois shows de Paul McCartney antes deste, mas o controle e a qualidade da voz ontem me surpreenderam! Ei, são 68 anos! Cantar Yesterday, depois de quase 3 horas de show, afinado e de voz limpa é um feito que Gagas e Biebers por aí nem imaginam ser possível.

O set list do show:

Venus and Mars / Rockshow
Jet
All My Loving
Letting Go
Drive My Car
Highway
Let Me Roll It
Foxy Lady
The Long And Winding Road
Nineteen Hundred and Eighty Five
Let ‘Em In
My Love
I’ve Just Seen A Face
And I Love Her
Blackbird
Here Today
Dance Tonight
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Something
Sing The Changes
Band On The Run
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Back In The USSR
I’ve Got A Feeling
Paperback Writer
A Day In The Life / Give Peace A Chance
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude

Encore
Day Tripper
Lady Madonna
Get Back

Second Encore
Yesterday
Mull of Kintyre
Helter Skelter
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band / The End

O repertório foi outra grande surpresa. Algumas que antes nunca faltaram deram lugar àquelas jóias menos conhecidas do fantástico catálogo de Paul. Saíram Penny Lane e I saw her standing there para entrarem Ob-la-di-ob-la-da e Mull of Kintyre. Esta última parece ser velha conhecida do público aqui do Canadá, mas é pouco tocada no Brasil e uma das minhas prediletas (e da Patrícia também). Eu tinha o sorriso bobo no rosto enquanto cantava, mas com uma pontinha de tristeza de saber que faltariam as gaitas de fole que marcam a música. Até chegar a banda completa de gaitistas (“highlander band” de Port Dover), colocando seus “sacos de gatos” para tocar a todo vapor. O queixo caiu lá embaixo e pude apreciar um espetáculo que nunca esperava ver, nem nos sonhos mais otimistas.

Comecei a escrever o post com Mull of Kintyre tocando novamente, de volta a qualidade fria das gravações e fones de ouvido. As músicas foram se sucedendo em “shuffle”, passando por algumas bobagens que depois de ontem deveriam tomar vergonha e fugir do meu telefone, deixando o mestre ocupar todo o espaço disponível. Mas não importa. Tenho certeza que nos próximos dias meus ouvidos vão continuar cantando para mim: “Mull of Kintyre, …”

(O show foi um sucesso confirmado pelas críticas dos jornais, por sinal)

Se passa esse, passa qualquer um…

August 4, 2010 – 3:51 pm

Vejo muita gente no Brasil esperançosa com o tal do Ficha Limpa. Para variar inventam alguma nova regra para tentar acabar com a avalhação das regras anteriores (como tem inpunidade geral, vamos criar uma nova “camada” de leis ao invés de fazer valer o que já existe), mas só torna as coisas mais burocráticas e simples para aqueles que conhecem os atalhos da pizzaria Brasil. O Ficha Limpa vai pelo mesmo caminho, é só ver aqui:

Jader Barbalho escapa da Ficha Limpa e pode ser candidato ao Senado pelo Pará

Vem aí o filme do Timão!

July 16, 2010 – 3:54 pm

Não seu como vain ser, mas o trailer já é de arrepiar. Legal ver flashes de jogos que eu acompanhei ao vivo. Momentos inesquecíveis para qualquer torcedor